quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Máscara.

    Ela, cansada da absorção de imagens capturadas durante o dia, entrou em sua casa com um desejo latente de se deitar.
    Seus olhos adormecidos expressavam tamanho desânimo, que se olhasse seu própio reflexo em um espelho, adormeceria no mesmo instante.
    Era assim que se encontrava, ao caminhar vagarosamente pelos corredores de sua casa. Seus olhos sondavam, desatentos, tudo que a rodeava. E foi nesse trilhar monótono que ela viu, o reflexo da luz em um objeto dourado no fim do corredor, atingir-lhe os olhos. Ela conseguia sentir suas emoções borbulharem em uma mistura de alegria e medo. Seu corpo, movido pela curiosidade, se aproximou daquele objeto anônimo.
    Tantas interrogações brotaram em sua mente, que confusa, só queria realmente saber o que era aquilo que tanto brilhava. Seus olhos focalizaram com lentidão, até que puderam ver oque era.
    O objeto em si, era um ensopado de emoções e sentimentos. Tanta beleza, dor e fantasia. Se tratava de uma máscara. Uma máscara que carregava um largo sorriso e dois olhos inexpressivos.
    Ela analisou cada detalhe, cada curva, cada mínimo reflexo de luz que se reproduzia na máscara. Não era mais a curiosidade, era uma paixão. Dentro dela, milhares de coloridos fogos de artifício, explodiam ordenadamente.
    Ela riu. Estava tudo silencioso. Só se ouvia um leve "tic-tac" de um antigo relógio de corda. Estava tudo escurecido, com um tom de azul claro, do jeito que é quando o sol começa a nascer. Era engraçado, mas ela sentia tudo brilhar e cantar. Uma lágrima escapuliu do seu olho, e rolou, até chegar no queixo e cair.
    Ela lembrou daquele amor adolescente. Lembrou dos filhos, que um dia amamentou. Lembrou dos funerais e casamentos. Lembrou tudo oque havia esquecido. Lembrou com alegria do passado. Lembrou a época que ainda estudava e que fugia de garotos. Se lembrou do dia em que foi mascarada pro baile de seu colégio, e viu, pela primeira vez, aquela máscara refletir a luz do rosto dele. Lembrou dele.
    Ela tocou o anel dourado que descansava em seu dedo. Sentiu as inscrições que diziam: " Brilhe minha estrela! ". Seu coração se encheu de paz. Ela estendeu a mão, e pegou a máscara que estava deitada em uma velha prateleira. Olhou com carinho aqueles olhos vazios, como se realmente pudesse ver algo. Trouxe a máscara pra perto de seu rosto e beijou, infantilmente, aquela boca sorridente.
    " Eu te amo !" ela falou silenciosa e de forma carinhosa.
    Abraçou com carinho a máscara. Se deitou e dormiu.
    Enquanto dormia, uma estrela brilhava em cima de sua cabeça, refletindo sua luz do firmamento. E na brisa da noite, ela ouviu um suspiro que dizia :
    " ... eu também te amo, minha pequena estrela..."

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